Estou casada há cinco anos e estou passando por uma crise muito forte. Estou grávida do meu segundo filho e não sei mais o que fazer para segurar meu casamento!
Meu marido fica ameaçando que vai sair de casa, mas não sai... Eu passei a me submeter a tudo por esse relacionamento.
Nao tenho amigas, preciso de ajuda para melhorar.
Querida J
A sua situação é difícil e dolorosa, mas isso não quer dizer que você precise alimentar esse sofrimento. O que de pior pode acontecer? Seu marido sair de casa?
Não vai ser se submetendo a tudo que você impedirá que ele faça o que quiser. Quando você se submete a tudo, para que seu marido não cumpra suas ameaças e saia de casa, se coloca na pior situação possível.
Parece que o seu medo de romper o casamento se transformou em pânico. Nesse estado a pessoa não consegue refletir e usar a razão para avaliar uma situação. Procure respirar fundo, se concentrar na sua respiração, sempre que se sentir angustiada.
O fato de estar grávida deixa você mais sensível e, no seu caso, insegura. Pensa bem: o que você tem a ganhar vivendo nessas circunstâncias? Em que ponto seu casamento deixou de ser bom? Talvez, vocês nunca tenham compartilhado uma vida de casal, com planos juntos, respeito, carinho, companheirismo...
Sem um relacionamento que possa ser uma fonte de energia positiva e estímulo para o seu desenvolvimento pessoal contínuo, vale a pena insistir?
A auto-estima depende do que fazemos com nós mesmos, o quanto acreditamos sermos merecedores de amor, atenção, felicidade.
Você está esperando o segundo filho. Já refletiu sobre as conseqüências emocionais de duas crianças vivendo esse clima de instabilidade, crises, e tudo o que isso acarreta na vida diária?
Talvez, você julgue que não sobreviverá sem seu marido. Entretanto, se estiver disposta a construir as bases para experimentar uma vida boa, independentemente de estar, ou não, num relacionamento. Saiba que isso é possível!
Se sua preocupação é financeira, você sabe que com filhos pequenos seu marido terá que se responsabilizar pelo sustento deles. Isso é um direito seu.
Pense em quantas mães, solteiras e pobres, fizeram de suas situações a alavanca para buscarem uma vida melhor para si e seus filhos! Em vez de ficar chorando, se desesperando, reúna suas forças e construa um projeto de vida.
Enquanto se humilhar diante de quem quer que seja, estará aceitando ser tratada como se não tivesse valor. Quem quer ser valorizada, precisa se valorizar antes. Invista na vida profissional, cuide de seus filhos, dê amor a eles e permita que cresçam saudáveis para que possam se tornar adultos emocionalmente estáveis.
Você diz não ter amigas. Talvez, nunca tenha se aberto para a chegada dessas amigas. Comece a mudar isso agora.
Você pode começar a frequentar um grupo de grávidas, aulas de alguma coisa de que goste, participar de reuniões de
pais, seja em escolas, em postos de saúde, em grupos de ajuda mútua. Comece a se movimentar, busque na sua cidade o que existe de atividades que a interessem. Com a internet você tem acesso ao que estiver acontecendo nas áreas que a interessarem.
O que não dá é continuar assim, se desgastando e se punindo, vivendo em estado de humilhação e sofrimento. Mude de atitude. Converse com seu marido com maturidade, ouça o que ele tem a dizer.
Se, porém, seu marido não estiver disposto a conversar de modo adulto, sem provocações, ameaças, acusações, não insista. Para que o casamento funcione, as duas pessoas precisam estar comprometidas com esse projeto.
Saia do papel da vítima e assuma o controle da sua vida. Você pode procurar ajuda em um tratamento psicológico para que possa se fortalecer e descobrir que tem uma vida inteira pela frente, para construir e ser feliz.
Ame o seu bebê que ainda não nasceu, ame seu outro filho. Verá que ao sintonizar na energia do amor e do cuidado, perceberá sua vida de forma diferente.
Vá à luta! Você pode e merece ser feliz.
Confie!
Abraço carinhoso
Jael Coaracy